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Paisagens Rupestres (2)
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Opinião

Paisagens Rupestres (2)

A questão da paisagem, tomada no sentido da busca de inspiração de “tema artístico”, ou mesmo no do “belo romântico” - não será o ponto fulcral que pretendo destacar nesta abordagem às “Paisagens Rupestres” da Ilha Terceira. Nem também no pormenorizar da etimologia da palavra “rupestre”, que esclarece esta especificidade, porque penso já se ter transformado em lugar-comum (por já ser sabido que “rupestre” se refere a “rochas com inscrições”).

O que pretendo trazer à discussão é o potencial escondido na ligação entre esses conceitos românticos do passado, e o que pode transformar simples conjuntos de rochas no topo de paradigmáticas Serras, em locais mais atractivos ainda … que praias solarengas atravancadas de gente ao sol.

E penso obter esse efeito, talvez agarrando essa atitude inicialmente contemplativa, em que se julga ser atribuído mais valor ao sentimento do que à matéria (característica do Romantismo) e implantá-la nos sítios escolhidos - no passado tidos como locais significativos.

Pode-se recuar até à pré–história, por ser nesse registo que se encontram os exemplares de santuários elevados (os “peak sanctuaries”) tão comuns na Ilha grega de Creta, por exemplo, e agora motivo de atracção turística. Aí, o reencontro com a “paisagem romântica”, ou aquela que corresponda aos ideais dessa época acontece, mas utilizando os elementos contrários…

O que faz com que resulte em êxito o ludibriar das espectativas dos visitantes é a fragilidade do modelo anterior. Os incertos e débeis ideais do romantismo são voluntariamente abandonados face ao vislumbrar de um valor mais consistente. E é nessa antecipação pela mudança de valores, a acontecer por todo o lado (assim como no turismo), que eu coloco a certeza de poder contrabalançar as Lagoas de S. Miguel com os “peak sanctuaries” da Terceira e assim provar que a diversificação é possível, neste sector da paisagem (tão influente na economia insular).

Embora se saiba que os valores do turismo “Praia e Sol” decrescem também por se constatar o problema de saúde que levantam, com a crescente periculosidade na exposição aos raios solares, por outro lado, o romantismo da Vista d’El-Rei em S. Miguel, também cansa, principalmente para quem tem 8 dias para o observar.

É aí que coloco a deixa para as paisagens rupestres!

Uma coisa é olhar a paisagem seguindo um modelo imposto anteriormente, e no qual ela se encaixa (como o da “paisagem romântica”). Outra coisa é descobri-la a partir da sua própria matéria e essência: de que consta? Como surge? O que a compõe? Quem a realizou?

Principalmente, sendo construída pelo homem, onde não se sabia existir, e transportando uma mensagem (ou o que se supõe ser uma mensagem…), mas sobretudo, estando ali, presente e indiscutível (embora numa natureza quase espectral), é, só por si, algo que desperta a vontade de observar - uma paisagem especial, com um conteúdo misterioso que age sobre o espectador deixando-o envolto na conjura da sua própria explicação!

Geograficamente fragmentados, estes “quadros” fornecidos pelas paisagens rupestres da Ilha Terceira, formam vários conjuntos, sobre alguns dos quais falarei aqui.

01/05/2016

2016-05-07 06:52:00

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