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Opinião

Deixamos de ser, "contentinhos" com o ter e o parecer

O “Je suis”, iniciado, creio, com o atentado ao Charlie Hebdo, e que todos estampavam nas suas páginas de Facebook e de outras redes sociais, foi perdendo o fôlego, quero dizer, a demonstração do sentimento de solidariedade foi-se perdendo. Haverá muitas razões, creio que muitas poderão ser até bastante perversas, mas uma delas, provavelmente bem generalizada, é a da banalização do terror que, sem termos disso consciência, faz o seu “embodiment”, quer ao nível das consciências individuais, quer ao nível dos comportamentos sociais. A proximidade, veiculada pela força das imagens que nos chegam rapidamente através de todos os “mass media” electrónicos, retira potência à violência e à morte, torna-as “familiares”, “suportáveis”. Se as vítimas forem ou estiverem fisicamente mais próximas de nós, ainda esboçamos um gesto de horror ou de indignação, mas, à medida que a distância (física, mental, cultural) vai sendo maior, a mágoa alheia tende a confundir-se com a ficção a que assistimos. Passivamente, nos cinemas e nas televisões. E o terror vence – não pelo número de vítimas que faz, mas porque nos torna cúmplices dele.

O “sacudir a água do capote”, tão familiar e difundido na nossa cultura, tem aqui o seu supremo (e terrível) exemplo. Mas poucos darão conta que o mesmo sentimento, melhor dizendo, o comportamento que dele advém, é persistente nas pequenas coisas do dia-a-dia (em casa, na escola, no trabalho) e eleva-se, com sinais alarmantes, no modo como evitamos “dar o corpo ao manifesto” na vida cívica, ou se quiserem, política; a “culpa” é sempre “deles”. E o máximo que fazemos é expressar, com “emoticons”, o agrado, o desagrado e até, pasme-se, a “fúria”. De simulacro em simulacro até ao aniquilamento irremediável, definitivo.

Ah, e os gajos como eu são cá uns chatos!...

http://bloguecam.wordpress.com/ | camlisbon@yahoo.com

(Por vontade do autor, este texto desobedece à actual Norma Ortográfica Portuguesa).

2016-07-05 06:32:00

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