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O elogio fertiliza a confiança!
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Opinião

O elogio fertiliza a confiança!

Nesta sociedade cada vez mais acelerada esquecemo-nos de dar a devida importância ao elogio e a muitas outras recompensas sociais tais como demonstrações de afecto como um simples sorriso. Se isto é verdade no mundo adulto não o é menos quando nos relacionamos e educamos as nossas crianças. Partimos da premissa que a criança deve saber comportar-se sem a ajuda do adulto reservando o elogio para situações excepcionais. Na maior parte das vezes em que as crianças estão em interacção de uma forma adequada ou entretidos a brincar os adultos evitam elogiá-los. Em contrapartida mal acontece algo menos adequado a intervenção é imediata e sempre dirigida ao infractor primeiro e só de seguida à vítima. Os estudos nesta área revelam haver uma correlação directa entre a falta de elogio e de incentivo e o mau comportamento.

De facto podemos considerar estas duas estratégias como sendo o GPS na modelagem e orientação na escada sequencial de aquisições e competências e na construção de um auto-conceito positivo sendo a força motriz da persistência em tarefas difíceis.

Alguns adultos pensam que o elogio poderá contribuir para a arrogância, outros simplesmente não sabem como e quando o deverão utilizar. Outros confundem reforço e incentivo com atribuição de bens materiais esquecendo que os reforços sociais como o elogio são inesgotáveis e mais consistentes.

O certo é que o elogio não estraga a pessoa, pelo contrário as pessoas que se comportam ou agem exclusivamente para obtenção de elogio são aquelas que ao longo do seu desenvolvimento sofreram com a negligência e falta de atenção dos adultos cuidadores, levando a que o desejo dessa recompensa seja tão intenso que se habituaram a exigi-lo para funcionarem adequadamente e vivem em constante receio de desapontarem as figuras significativas.

É também natural na nossa cultura encararmos o elogio como uma forma de manipulação, ideia errada pois a definição de manipulação pressupõe a provocação de um comportamento contra a vontade da pessoa, enquanto o objectivo do elogio é a potenciação de um comportamento positivo com o conhecimento da pessoa que o emite.

Este deverá ser imediato quando se trata de crianças para que estas percebam a relação com o comportamento emitido. Deverá ser de igual modo explicativo para comportamentos específicos. Nunca caia na armadilha de associar o elogio a uma crítica, devendo este ser claro e inequívoco e sem recordar falhas anteriores.

As recompensas concretas sejam elas materiais ou sob a forma de privilégios são também elas uma outra forma de reforço, mas deverão ser menos frequentes do que as sociais. Neste caso os pais deverão optar por recompensas pouco dispendiosas, nunca misturar recompensas com castigos e estas deverão ser dadas após o comportamento apropriado, assim haverá a distinção entre suborno “Dou-te um chupa-chupa e tu paras de fazer birra!” e recompensa “Se estiveres sossegada poderás comer um chupa-chupa quando formos ao café!”

Não devemos ter medo de nos auto-elogiarmos e fazê-lo em frente às crianças deste modo ensinamo-las a interiorizar o auto-diálogo, para que se possam auto-avaliar e interiorizar as suas próprias estratégias de auto-motivação.

Não faz mal reconhecermos os nossos êxitos e os dos outros, essa capacidade é um factor de saúde mental e de bem-estar subjectivo.

2011-05-20 08:13:12

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