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CDS/PP é um partido de causas e não de promessas
Entrevistas
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CDS/PP é um partido de causas e não de promessas

O líder do CDS/PP-Açores, Artur Lima, é o convidado desta semana da rubrica "Entrevistas" deste jornal.

Numa altura em que se aproximam as eleições Regionais, que balanço faz do desempenho do CDS-PP na Legislatura que ainda decorre?

Julgo que o nosso desempenho foi muito positivo. Digo isto tendo por base as importantes medidas de cariz social e económico que conseguimos fazer aprovar, como as propostas de reforço em mais de um milhão de euros para as políticas públicas de emprego, o reforço das verbas para a reconversão das explorações agrícolas, o estudo para a aquisição de uma avião cargueiro (para facilitar o escoamento dos produtos derivados da nossa agricultura e pescas), o aumento das diárias dos doentes deslocados e a melhoria do seu alojamento (quando fora da sua ilha de residência), a implementação do Vale Saúde (para combater as listas de espera cirúrgicas do Serviço Regional de Saúde), as tarifas promocionais inter-ilhas para jovens portadores do cartão inter-jovem (descontos até 50%), a criação de um programa de empréstimo de manuais escolares gratuitos a todas as famílias açorianas (independentemente dos seus rendimentos), reforço das verbas para pessoas portadoras de deficiência (apoios à aquisição de ajudas técnicas), entre outras. Todavia, importa recordar que hoje em dia existem outras medidas sociais fundamentais em vigor na Região resultado da aprovação de propostas do CDS-PP no passado, como por exemplo o COMPAMID.

Por outro lado, notou-se que a eleição de Deputados do CDS-PP por diversas ilhas é benéfico; quebrou-se o bipartidarismo. Vejam-se os exemplos de São Jorge e das Flores. Aponto dois casos em concreto: todas as iniciativas apresentadas pelo Grupo Parlamentar para tentar ajudar a combater a praga do coelho bravo em São Jorge e a aprovação de uma Resolução (por unanimidade) para a extensão do anel de fibra óptica às ilhas do Grupo Ocidental. Os problemas destas ilhas saltaram para ordem do dia da política regional. Por isso, comprova-se a utilidade da eleição de Deputados do CDS-PP. Os açorianos reconhecem que o CDS é um partido de causas, não de promessas e isso contribui para a nossa crescente credibilidade perante a opinião pública.

O dossier dos transportes tem merecido inúmeras discussões, com o CDS-PP a apresentar inúmeras queixas, nomeadamente ao serviço prestado pela SATA. Que modelo de transporte aéreo defende para a Região?

Queixas e iniciativas como as tarifas promocionais e a constante reivindicação de melhores tarifas e melhores ligações e defendendo uma igualdade de tratamento para todos os Açorianos, independentemente da ilha onde residem. Repare que somos o único partido que critica abertamente a SATA. PS e PSD não o fazem. Nós sempre defendemos e continuamos a defender um modelo de serviço público para os Açores. Agora tem que ser melhorado em relação ao actual. Para se dar um avanço decisivo nesse sentido, a SATA tem que se assumir como uma companhia dos Açores para servir os Açorianos e, para isso, tem que se afirmar como concorrente da TAP.

Dizer que o Serviço Regional de Saúde está "doente" corresponde à realidade?

Infelizmente sim. E digo isso com muita pena, pois estou convencido que os Açores tinham todas as condições para terem um serviço de saúde exemplar. É também uma das áreas em que o CDS se diferencia do PS e do PSD. Nem PSD, nem PS, enquanto Governo, foram capazes de apostar na medicina geral e familiar, no enfermeiro de família (proposta do CDS). Os cuidados primários de saúde foram e são o parente pobre e desprezado pelos sucessivos Governos Regionais. Além disso, os Governos do Partido Socialista, foram fazendo dívida em cima de dívida (SAUDAÇOR, Hospitais, EPE…), levando o sistema à ruptura financeira e sem capacidade de pagar a tempo e horas aos fornecedores.

No Turismo, acha que as apostas do Governo Regional têm sido as mais acertadas?

Apostas milionárias e deficitárias. Milionárias pelos milhões gastos. Deficitárias porque não atingiram os objectivos de um mercado turístico minimamente credível e sustentável. Além de campanhas ineficazes, algumas foram verdadeiras pérolas exotéricas. O erro capital foi e é não promover o destino Açores. Promoveu-se quase exclusivamente uma parte ignorando o todo. O resultado está à vista de todos. Nunca se apostou no turismo temático, isto é, por exemplo, nunca se promoveram pacotes para a realidade “Triângulo”, para o Património Mundial, para o vulcanismo…

Considera que se continua a assistir a um divisão no Arquipélago entre as ilhas ditas mais pequenas e aquelas que apresentam maior desenvolvimento, no caso particular, S. Miguel?

É curioso notar que, muitas vezes, se critica o centralismo de Lisboa e se pratica o centralismo Açoriano. O modelo autonómico implantado pelo PSD foi um modelo centralista e que, infelizmente, o PS não atenuou e, em alguns casos, até aprimorou. O CDS sempre denunciou isso com firmeza e frontalidade. Penso que o desenvolvimento de S. Miguel é de facto um “case study”. É um desenvolvimento com pés de barro e com assimetrias gritantes. Olhe para a quantidade e qualidade da pobreza. Olhe para a qualidade de determinado tecido empresarial micaelense… O centralismo é o pior que aconteceu ao desenvolvimento dos Açores. Apostar em uma ou duas ilhas (São Miguel e Terceira) foi, e é, um erro clamoroso e anti-autonómico.

Recentemente afirmou que a situação financeira dos Açores é bem diferente da Madeira. Perante os dados apresentados pelo Tribunal de Contas, que análise faz às contas da Região?

Segundo as informações que tenho a situação financeira dos Açores não se compara com a Madeira. E ainda bem, se assim for de facto. Mas devo lembrar que há um ano atrás a situação, segundo o Governo, não chegava aos Mil Milhões; depois passou a 1,5 mil milhões; recentemente, o Tribunal de Contas aponta para 3,3 mil milhões. É notório um agravamento substancial da situação que espero não piore. Se acontecer nos Açores algo igual ou parecido com a Madeira, só podemos tirar uma conclusão: Adeus Autonomia…

Que comentário lhe merece a decisão de Carlos César em não se recandidatar a um novo mandato?

Merece o meu aplauso. César é um dos melhores políticos que conheço e como tal não ia faltar a um compromisso de palavra que tinha para com os Açorianos. Entrou para o Governo no momento oportuno, sai na altura certa. Saber entrar e saber sair é próprio de um bom líder. Um exemplo a seguir.

Acha que esta decisão pode beneficiar especificamente o CDS-PP, um Partido que tem vindo a subir os seus resultados nos últimos actos eleitorais?

Nunca viu o CDS a fazer disso um cavalo de batalha e muito menos uma condição para o sucesso das nossas políticas. Não andamos a afixar outdoors com exigências. Valemos pelas nossas ideias e propostas e, por isso, há cada vez mais gente a pensar como nós!

Teme que o Partido que lidera possa ser penalizado pela coligação entre o PSD e o CDS-PP que sustenta o Governo da República?

O Governo da República é um Governo patriota e com muita coragem e determinação para enfrentar a situação de crise geral que se vive. Herdou uma pesada herança do Governo do PS e, por imposição do acordo da Troika, negociado pelo PS, tem de tomar medidas duras e impopulares. Porém, mais uma vez lhe digo: o CDS-PP Açores vale pelas suas propostas e pelo seu trabalho. Os Açorianos vão escolher um novo Governo para os Açores e, por isso, vão avaliar e julgar a política regional e, sobretudo, o Governo do PS Açores.

O que considera ser um bom resultado do CDS-PP Açores nas eleições Regionais de 2012?

O melhor resultado é ganhar as eleições e ser Governo nos Açores. Vamos fazer por isso, mas respeitaremos a opção dos Açorianos. Agora uma coisa é certa: os eleitores já perceberam que essa coisa de Governo de partido único já deu o que tinha a dar. E se não querem o presente também certamente não querem o passado. E quando falo em partido único falo em PSD e PS. A diferença está no D! Na prática são iguais no exercício do poder e, por isso, estou convencido que a verdadeira alternativa é o CDS-PP.

Está disponível para coligações pós-eleitorais para sustentar um Governo na Região?

Neste momento estamos concentrados nas nossas propostas e no nosso trabalho, que estou convencido é reconhecido pelos Açorianos. Primeiro, o trabalho; depois, as decisões sobre a força que o Povo nos quiser dar. Somos de confiança e saberemos estar à altura das nossas responsabilidades.

JornalDiario

2012-02-03 17:00:00

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