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Os cargos não movem<br> o Bloco de Esquerda
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Os cargos não movem o Bloco de Esquerda

A líder do BE/Açores, Zuraida Soares, é a convidada desta semana da rubrica “entrevistas” deste jornal.

As últimas eleições regionais determinaram uma maior pluralidade partidária no Parlamento açoriano. No cômputo geral, como classifica esta mudança?

Pensamos que os Açores e as suas populações ganharam com a maior pluralidade existente na Assembleia Legislativa. Ao contrário do passado, a actual Assembleia tornou-se num órgão de real fiscalização da actividade do Governo Regional (uma das suas fundamentais funções) e a quantidade e qualidade de propostas aprovadas, em favor dos/as Açorianos/as, aumentou de forma assinalável, apesar da maioria absoluta do PS.

Que balanço faz do desempenho do Bloco de Esquerda Açores na legislatura que ainda decorre?

Caberá aos/às Açorianos/as, em última análise, dar a resposta a essa questão. Contudo, consideramos que tivemos uma postura construtiva e conforme ao compromisso que assumimos, em Outubro de 2008: as propostas que fossem boas para as pessoas e para os Açores, vindas de qualquer força política, teriam (e tiveram, até hoje) o nosso voto favorável. Fomos exigentes na fiscalização da acção governativa, nomeadamente, com a utilização dos dinheiros públicos e, por isso, não demos tréguas ao desbaratar de dinheiros, nas consecutivas derrapagens das obras públicas e na exigência de combate à evasão fiscal, outra das chagas da nossa Região.

Fomos particularmente activos na defesa do emprego e das condições de vida das pessoas, com propostas sobre os rendimentos do trabalho – por exemplo, contra o confisco dos subsídios de férias e de Natal; apresentámos novas propostas de apoios sociais, como o FundoPesca, Bolsas de Estudo para alunos de famílias desempregadas, apoio social nas escolas, entre outras.

Defendemos o ambiente e a biodiversidade desta terra, quer apresentando dezenas de alterações e aditamentos a várias propostas do Governo, quer na denúncia de atentados ambientais, como a Fajã do Calhau.

Pugnámos pela defesa dos nossos recursos, nomeadamente, marítimos, com medidas concretas, ao invés da retórica dos Partidos maiores.

A Autonomia, para nós, não é uma flor na lapela e, por isso, fomos intransigentes na defesa dos Açores e da sua Autonomia, opusemo-nos ao ataque à RTP/Açores, denunciámos as repercussões terríveis da privatização da ANA, reivindicámos os 5% de IRS para os municípios Açorianos.

Portanto, fomos sérios e de confiança, no trabalho realizado e coerentes com o que assumimos, há 4 anos atrás.

Na sua opinião, quais são os principais problemas do quotidiano açoriano que ainda estão por resolver depois de quase 16 anos de governação socialista?

Hoje, como ontem e no futuro, cada vez com maior acuidade, o principal problema é o emprego.

Mas emprego com qualidade e remuneração condizente com as qualificações possuídas. Continuar a persistir, num modelo de desenvolvimento assente nos baixos salários e em produtos de baixo valor acrescentado, é continuar a mandar a juventude qualificada para fora do Arquipélago.

Continuamos a defender que a situação geográfica dos Açores pode ser uma alavanca para o desenvolvimento dos sectores dos transportes aéreos e marítimos. O pequeno exemplo de Santa Maria, no que respeita ao rastreio aéreo, é o embrião deste modelo de desenvolvimento.

Paralelamente, a economia do mar (como sempre temos defendido), pode tornar os Açores num centro de excelência e referência, a nível mundial - sendo este outro vector do qual o embrião já existe -, bem como a diversificação agrícola. Estas são linhas de acção que defendemos como centrais.

Que medidas se poderão implementar para voltar a colocar o sector do turismo no caminho do crescimento?

Em primeiro lugar, ter uma estratégia de desenvolvimento turístico, assente no turismo de natureza e potenciando todas as suas valências. A confusão, nesta matéria, é prejudicial para os Açores. Por um lado, fala-se em turismo de natureza mas, na prática, desenvolvem-se as bases de um turismo de massas, assente em grandes unidades hoteleiras citadinas que é dinheiro deitado à rua.

A par disto, uma política de transportes ao serviço da economia e, mormente, do turismo e não ao serviço de uma empresa.

Considera que se continua a assistir a um divisão no Arquipélago entre as ilhas ditas mais pequenas e aquelas que apresentam maior desenvolvimento, no caso particular, S. Miguel?

Se houvesse alguma dúvida, bastariam os dados dos Censos 2011 para tornar clara esta realidade. No geral, todas as Ilhas, chamadas ‘de coesão’, perderam população e, mesmo em S. Miguel, em concelhos como o Nordeste, aconteceu o mesmo. Este facto prova os desequilíbrios preocupantes entre Ilhas e o seu agravamento tende a prosseguir.

Que comentário lhe merece a decisão de Carlos César em não se recandidatar a um novo mandato?

É um direito que lhe assiste.

Considera que esta decisão poderá beneficiar os denominados partidos “mais pequenos”?

O Bloco de Esquerda/Açores, como foi sempre seu apanágio, acata com profundo sentido democrático o juízo do Povo, em eleições, quer lhe dê mais ou menos votos e esse é o único factor que decide eleições.

Acha que, perante o actual cenário político, será difícil a qualquer partido alcançar uma maioria absoluta nas próximas eleições regionais?

Nos Açores, tem havido o hábito de acreditar que alguns fazedores de opinião têm poderes de adivinhos. Esses poderes mais não são do que a tentativa de criar, na opinião pública, a ideia que interessa às forças partidárias de que, de forma mais ou menos clara, são representantes. Nas duas últimas eleições regionais, o Povo tem assumido as suas escolhas, mandando às malvas tais prognósticos, que deram sempre errado.

O veredicto é do Povo e por ele esperamos.

O que considera ser um bom resultado para o Bloco de Esquerda Açores nas próximas eleições regionais?

Reforçar o número de votos e de mandatos.

Está disponível para coligações pós-eleitorais para sustentar um Governo na Região?

Os Açorianos e as Açorianas sabem que o Bloco de Esquerda/Açores é uma esquerda de confiança e confiável. Batemo-nos pela implementação de políticas que combatam, de forma séria, a actual situação que o governo do PSD e CDS, apoiados pelo PS, nos impõem (sob o pretexto dos ditames da Troika). É com estas propostas, com a nossa atitude e sem medo, que vamos a eleições.

Conforme o veredicto popular, assumiremos as nossas responsabilidades, sabendo os/as Açorianos/as que não temos medo delas. Porém, não são os lugares que nos movem.

JornalDiario

2012-02-10 17:00:00

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